Deu a louca em mim e resolvi fazer o Audax 200km do Rio de Janeiro. Era uma oportunidade de brevetar logo no começo da temporada (que tem o seu ápice no Paris-Brest-Paris em agosto de 2011) e ficar mais tranquilo para me preparar para o brevet de 300km. Já havia participado de outras provas Audax, mas somente dos desafios (100km e 150km) e este seria o meu primeiro brevet.
Da turma que normalmente participa das provas, só a Verônica Mambrini topou, já que ela conhece gente do Rio e já tinha participado de um Audax lá em janeiro, além do Rafael Menezes (conhecido como cyclejeca) e do seu irmão.
A prova
Pedalamos uns 20km até o Shopping Tijuca, nas ruas ainda escuras, já que a largada estava programada para as 6:00. Foi um belo aquecimento, mas não sei até que ponto isso nos desgastou.
Chegamos em cima da hora, não deu nem tempo de tentar encher a minha segunda caramanhola de água. Mas tudo bem, eram só 30km até o primeiro PC, que já teria água. Os primeiros quilômetros foram guiados por um carro-madrinha a 25km/h até chegar na Av. Rio Branco. A partir de lá, os apressados podiam disparar.
Quando o carro-madrinha liberou tive que confiar na planilha e no GPS, mas até lá estava fácil. Daí começou a subida do Sumaré. São 700m de subida em 10km. O problema não é a inclinação (7%), mas a distância. Subi, subi e peguei o PC aberto, às 8:43, faltando 1 minuto oficialmente (hehe), mas eles ainda estavam dando uma tolerância (pequena). Só deu tempo de encher uma caramanhola e comer uma banana, e já fui pegando a descida até o PC2.
Numa bifurcação errei o caminho. Ainda bem que o GPS me avisou, daí peguei a entrada certa para a estrada da Vista Chinesa. Ah, mencionei que essa estrada também era subida? Na descida, já estava atrasado, mas eu tinha que tirar uma foto de lá.
Daí veio o resto da descida, e o PC2. Já estava uns 20 minutos atrasado, mas os fiscais ainda estavam lá (a tal tolerância). Segui até o PC3, pela Av. Niemeyer, o Joá (empurrei a bicicleta lá) pela orla da Barra da Tijuca até o Pontal. Comecei a sentir as primeiras cãimbras e dei uma parada, comprei água num quiosque, daí segui. Parecia que não chegava nunca, o vento estava um pouco contra, mas mesmo assim fazia uma média de 30km/h.
Depois do PC3, uma estradinha até chegar na Avenida das Américas. Pra mim, o trecho mais tenso do percurso todo. Essa avenida é praticamente uma marginal daqui de São Paulo, 8 pistas, sem acostamento, ônibus passando a 80km/h. Daí pra piorar um pouco mais começou a chover. E forte. Cheguei ao PC4 já ensopado (ainda bem que levava um corta-vento resistente à chuva), e ainda tinha que voltar pela ‘maravilhosa’ Av. das Américas de novo até o Barra Shopping para pegar a saída para o autódromo. Lá estava o PC5.
Vale lembrar que eu cheguei em quase todos os PCs no limite do tempo, se não tinha estourado um pouco, faltava pouco para estourar. Ainda bem que tinha a tolerância…
Sem mais novidades, o PC6 era no mesmo lugar do PC3, no Pontal. Era só fazer o mesmo caminho de volta. Ainda chovia. O PC7 era no fim da orla da Barra, no Quebramar. Eram 20km para fazer em 1 hora e meia. Pensei: ‘fácil, a 30km/h, que foi a velocidade que viemos, dá pra fazer em 40 minutos’. Errado. Chuva, vento contra e o piso irregular da ciclovia (e o cansaço, claro, de já ter pedalado 150km) contribuíram para que eu fizesse uma média de 15km/h nesse trecho, lamentável. Parei em um quiosque para um reabastecimento de… Ruffles e Coca-cola (hehe) e cheguei no PC7 nesse estado lastimável:
Daí tinha a subida do Joá novamente pelo outro lado. Mesmo com a coroa tripla, fui obrigado a empurrar, e na descida frear devagar por causa do asfalto molhado. No fim da descida estava o PC8, o último antes da chegada. Depois, atravessar pela passarela e seguir pela orla até chegar novamente na Av. Niemeyer. No fim da avenida estava tudo congestionado, e passei cerca de 60 carros (vingança). A partir de lá era sair da orla e ir por dentro, pelo Jardim Botânico passando por Botafogo e pela orla novamente até chegar ao Aterro do Flamengo. Nesse ponto a indicação da planilha de ir pela ciclovia me atrapalhou, pois ela dava muitas voltas, e com isso perdi um pouco de tempo.
Depois de lá era preciso dar uma volta pelo Centro, passar por baixo dos Arcos da Lapa (isso foi legal) e pelo meio do Sambódromo. O problema é que a rua por onde eu tinha que passar estava interditada por causa de um evento. Tive que dar a volta e cruzar por outra rua, daí voltar para a original. Mais tempo perdido…
Bom, depois de lá faltava muito pouco. Mas o tempo preocupava. Será que a tolerância que eles estavam dando seria o suficiente para completar no prazo? E foi o que aconteceu. Cheguei ao Shopping (tudo congestionado) ainda com 10 minutos para o tempo limite.
E foi assim meu primeiro brevet Randonneur de 200km.
Gostaria de agradecer à Verônica pela ótima companhia no fim de semana e em parte do pedal, à Thaís de Lima (a Mulher de Ciclos) e seu marido Maurício pela hospedagem e hospitalidade. Espero um dia poder retribuir a gentileza.

